quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Strange fruit



Dia desses o alerta do Facebook veio me lembrar que esse blog fez quatro anos em agosto. O Facebook anda nessa onda meio canceriana, nostálgico, de lembrar a gente coisas que aconteceram desde que entramos na rede. A minha máquina do tempo sempre me mostra coisas bonitas, mas também traz umas vergonhas, posts em inglês na época que eu morava fora - e quando já estava aqui também, diga-se de passagem.

Foi então que ele me lembrou do post de 2011, quando eu dizia que lá estava eu criando outro blog nesse universo internético. Cheguei por aqui em 1999, e o primeiro blog veio um tempo depois, no enfadonho maio de 2002, uma greve escolar gigante e eu na iminência dos aguardadíssimos dezoito. Desde então, venho mantendo blogs  ou postando nos de amigos. 

A ideia para esse espaço era postar uma vez a cada semana, no máximo com uns quinze dias de intervalo. Pegar um assunto qualquer e colocar o meu ponto de vista na história, dar o ar da minha graça aos fatos, eventos e histórias que me cercavam. Carrie Bradshaw ligou e pediu a coluna de volta, eu sei. Mas aqui a ideia não era falar de sexo e a cidade, até porque, né?, mas sim falar de mim mesmo em textos adornados por pedâncias e pontos de vista que por vezes só interessavam a mim, como quase tudo que temos em redes sociais desde sempre. 

Claro que essa frequência foi ficando cada vez mais distante, eu não conseguia sentar e escrever um texto por semana, da mesma forma que não consigo sair para correr todos os dias, ou cumprir o acordo que fiz comigo mesmo de fazer um bolo todo domingo, para o café da manhã da semana. O último texto aqui tem mais de um ano, e era sobre uma drag queen de RuPaul's Drag Race, reality que é muito mais que montação e brigas de ego. 

Fiquei pensando sobre isso, sobre essa falta de compromisso que sempre insisto que tenho. E comecei a me indagar se, na verdade, não tenho mesmo compromisso com nada, ou se, no fundo, é a vida que dá um jeito de me mostrar que não tenho a menor necessidade de me firmar algumas imposições. Veja bem, por que tenho que fazer um bolo por semana, se posso variar e fazer um pão, um biscoito ou umas torradinhas? Por que tenho que correr todos os dias, se posso trocar essa atividade por um cinema após o trabalho, coisa que não vai queimar as calorias do bombom que comi depois do almoço, mas vai me relaxar, distrair e me fazer dormir mais tranquilo? 

A moda agora é procurar se alimentar com produtos orgânicos. As pessoas sabem as datas das safras, o que tem de bom em cada época e os endereços das feiras que trazem os melhores produtos diretos das plantações e os problemas que agrotóxicos causam. Acho incrível, adoro, compro sempre que posso, mas tenho tentado trazer, de um jeito ou de outro, esse conceito do "orgânico" para a vida, de um modo geral. Colher em mim o que a estação está dando de melhor, e me recolher em outros tempos. Passar um inverno mais instrospectivo, me enraizar no outono e florescer na primavera. Os frutos têm sido mais doces, e no final é isso que todos nós procuramos - em nós mesmos e nos outros. 


[para ver depois de ler: Filipe Catto - Rima rica, frase feita]

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