terça-feira, 16 de julho de 2013

Atento aos sinais



Dia desses recebi uma mensagem que era quase um alerta. Alguém tinha sonhado algumas imagens desconexas, mas podia-se ver claramente uma aglomeração de pessoas, alguns gritos, uma caminhonete Hilux preta e eu por ali no meio da cena. A mensagem mandava eu tomar cuidado ao atravessar a rua, ao ver muita gente junta e a fugir assim que avistasse o tal veículo.

Eu, que entendo de carros o mesmo que a equipe da revista da Ana Maria Braga entende de bom senso gráfico, tive que correr no Google para buscar imagens da tal caminhonete. Vi, olhei, e fiquei com a certeza de que jamais saberia identificar se uma dessas viesse para o meu lado. 

Agradeci o alerta e falei que ia tomar mais cuidado. E assim o fiz alguns dias depois do acontecido. Mas, ao mesmo tempo, me peguei pensando nesse movimento que as pessoas têm de sempre imaginarem algo ruim quando os sinais não estão muito claros, quando a mensagem não vem completa. O sonho poderia muito bem me mostrar ganhando o carro em um sorteio, a aglomeração ser uma plateia e os gritos serem do público aplaudindo minha sorte.

E eu percebo essa tendência não somente com os sonhos, mas com quase tudo na vida. Se o chefe manda um email convocando para uma reunião, as pessoas tendem a acreditar que ele vai dar uma bronca. Se um dos lados da relação amorosa liga para o outro, dizendo que quer conversar, já se imagina uma longa e pesada DR, bem ao estilo Closer.

As vezes fico com a impressão de que as pessoas já imaginam o pior para se prepararem. Porque a probabilidade de ser uma coisa ruim é a mesma de ser uma coisa boa, na maioria das vezes. Por que não imaginar algo bom, ou simplesmente não imaginar nada? No lugar disso, opta-se pelo fatalismo porque, caso ocorra algo ruim, o terreno já estará preparado. A sensação é de que as pessoas se fecham em um casulo. Se vier uma tempestade, elas estão abrigadas, mas se vier um lindo dia de sol elas abrem as asas e saem voando por aí.

Até hoje não encontrei a tal caminhonete preta. Mas, se ela vier, vou ficar na expectativa para que chegue com um grande laço vermelho em cima, muita chuva de papel picado e o Luigi Baricelli anunciando o prêmio!


[para ouvir depois de ler: Björk - Possibly Maybe]

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