sábado, 11 de maio de 2013

Rosa dos ventos


Dia desses fui convidado para um aniversário em um lugar que nunca tinha ido antes. Como sabia que o destino era um ponto um pouco afastado e que o GPS sairia do ar no meio do caminho, pedi ao dono da casa para desenhar um mapa com os principais pontos de referência e aqueles lugares fáceis de errar. Todo caminho sempre tem um desses, uma rua que se parece com a outra, uma casa que mudou de cor. No dia do aniversário peguei o mapa e fui seguindo as indicações. Passei o sítio tal, a igreja, entrei a direita na bifurcação, mas não encontrava o bar que deveria estar por ali. Dei voltas e voltas até perceber que, na verdade, a pessoa que fez o mapa confundiu as direções e me disse que o tal bar estaria de um lado quando, na verdade, ele estaria do outro. Entendido isso, não levei mais que cinco minutos para chegar onde deveria. 

Essa história toda me lembrou o texto de abertura do incrível cd "Sissi na sua", da Marina Lima, onde ela diz "todo mundo tem um mapa". Antigamente, os piratas enterravam tesouros e criavam uma série de instruções para que, no futuro, as riquezas fossem encontradas. Hoje em dia, nós possuímos mapas que levam a um entendimento maior de quem somos. Se antes o que encontrávamos as instruções dos piratas eram joias, ouro e outras coisas reluzentes, hoje em dia encontramos os sentimentos, os desejos e as ideias de cada um. 

Mas, do mesmo jeito que o mapa que desenharam para mim tinha um ponto trocado, quem garante que nossos mapas também não terão? E, pior, quem garante que nós mesmos não o fizemos errado, uma espécie de armadilha para ninguém "nos" encontrar?

Já me aconteceu várias vezes, de ter uma ideia sobre alguém mas que, depois, percebi que elas não eram tão reais assim. Coisas simples como eu acreditar que a pessoa amasse azul e, na verdade, ela preferisse preto; até coisas mais complexas, como eu jurar que uma pessoa era chatíssima mas depois percebi que ela era bastante agradável.

Isso não é uma questão de adivinhar como a pessoa é, mas sim ler o mapa que ela te forneceu. De captar as pistas escondidas nele. De caminhar pelas informações que te levarão a algum lugar. Nos mapas dos piratas, o X marca o local onde os tesouros estavam enterrados. E não é ótimo quando seguimos os mapas pessoais, encontramos esse X e ele estava bem em cima do coração de alguém? 


[para ouvir depois de ler: Projekt Gestalten: To north, please]

Nenhum comentário: