sábado, 26 de maio de 2012

Moleskine afetivo



Dia desses completei dez anos como blogueiro. Claro que não foram dez anos ininterruptos, com postagens frequentes e um corpo de textos considerável. Não fiquei rico e muito menos passei a dizer que sou "blogueiro" quando tenho que preencher um cadastro. Na verdade foram dez anos escrevendo aleatoriamente sobre o que me desse na cabeça, de temas infinitamente pessoais até mesmo sobre coisas do cotidiano que, aparentemente, não tinham muita relevância na minha vida. 

Meu primeiro blog, que foi devidamente enterrado com o fim do provedor que o hospedava, foi o que durou mais tempo, algo em torno de cinco, seis anos. E foi o blog que mais me trouxe amigos, pessoas queridas que me seguem até hoje. Algumas já quebraram a barreira do virtual, outras continuam a aparecer somente por código fonte, mas são tão importantes quanto as de carne e osso. 

Depois tive alguns outros blogs que duraram pouco tempo, outros que nem chegaram a sair da ideia, até culminar nesse, que escrevo hoje de forma raríssima, mas que muito me alegra mantê-lo. Vai ver que é porque, como diz essa matéria que li recentemente na revista IstoÉ, eu transformei minha escrita em blogs em um ato de "expressive writing", uma forma de organizar algumas ideias que estão por aqui mas que, de forma confusa, eu ainda não consegui absorvê-las, processá-las e, quando as coloco no "papel", elas ficam mais claras, simples.  

Penso isso porque, se analisar o que escrevi aqui, dá para perceber que todos os posts partiram de algum conceito, alguma ideia que tenho sobre a minha vida, sobre como vivo nesse mundo e as hipóteses sobre os desdobramentos daquele pensamento. É como se, de alguma forma, o blog tenha se transformado em um diário que, mesmo sendo tão particular, era possível ser compartilhado por aí. 

Eu não sou nem um pouco "extrovertido", e muito menos gosto de falar sobre mim, mas encontrei nos blogs uma forma de expor minhas ideias da maneira mais estruturada possível, e para aquelas pessoas que realmente estiverem com vontade de ler. Meus textos funcionam como um ótimo cartão de visitas para mim. Caso não goste do design, pode colocá-lo na pilha junto com os outros, mas se se interessar, basta rolar a página até o fim e conferir os "serviços" oferecidos. 


[para ouvir depois de ler: Adriana Calcanhotto - Inverno]

2 comentários:

tarciso disse...

Feito um observador marginal dessa fértil trajetória flavimariana, estou aqui também nesta sua mais recente ventura. Quem sabe agora avance além da periferia da alma para apreciar alguns de seus belos recônditos intuídos mas não expressamente desvelados.

Hilário Júnior disse...

<3