domingo, 1 de abril de 2012

Na fila, o amor está mais para trás


Dia desses fui ao show do Morrissey aqui em BH. Conheci a carreira dele um pouco tarde, é verdade, lá pelos 2003, 2004, ao mesmo tempo que conheci as canções dos Smiths. Sempre me encantaram as bandas dos anos 1980, a sonoridade das músicas e as letras. No caso dos Smiths/Morrissey, não fica muito diferente. São sempre canções carregadas de sentimentos, dor rimando com amor e vice-versa.

O show foi excelente, como há muito eu não via. O setlist estava fantástico, misturando hits antigos da banda com os sucessos da carreira solo, músicas do último cd e algumas músicas mais desconhecidas que não intimidaram o público, que cantava junto, nem que fosse o refrão.

Lá pelo meio do show o Morrissey puxou uma das minhas músicas favoritas de todos os tempos, There is a light that never goes out, da época do The Smiths. Nessa hora, para todo lado que se olhava tinha alguém com os olhos cheios de lágrimas, entoando os versos que já serviram de tema para muitos casais, reais ou não.

Comecei a pensar em um dos trechos dessa música, especialmente no verso "to die by your side is such a heavenly way to die..." (morrer ao seu lado é uma forma celestial de morrer). Sempre achei essa parte um tanto quanto dramática demais, afinal, quando se encontra o grande amor, ninguém quer morrer, e sim aproveitar ao máximo a vida junto a essa pessoa. Mas foi então que eu percebi que esse verso só faz sentido para aquelas pessoas que passam a vida procurando (ou esperando) o grande amor, a alma gêmea, the one... e que acham que a vida só fará sentido com essa pessoa ao lado. E mesmo que eu acredite no grande amor, e que temos "the ones" espalhado por aí, não consigo dar essa importância toda para eles. E é isso que me faz achar esse verso dramático.

Garanto que aparecerão leitores aleatórios aqui que dirão que sou insensível, ou como o Morrissey mesmo diz, "very plain". Mas vejo que é mais uma questão de prioridades. A prioridade que dei para minha vida, de uns tempos para cá, confesso, é realizar diversas outras coisas que não são encontrar essa pessoa. Claro que a porta está sempre aberta, ela pode chegar de surpresa que será bem vinda. Mas na fila da minha vida, o amor, apesar de começar com a letra A, não está em primeiro lugar. Mas está um pouco mais para trás, em uma posição onde sempre consigo vê-lo, e as vezes ele pisca o olho direito ao mesmo tempo que dá um sorrisinho. É a forma de me fazer lembrar que ele está sempre por ali, esperando a vez dele chegar.


Um comentário:

Diego disse...

Arrasaaaa!!!!! como diria titia tori.. give me peace, love and a hard cock!! Dá licença!!! vamos nos preocupar em fazer um masters aqui, ou doutorado ali... essa coisa de colocar o amor em primeiro lugar nooon da certo.... nessas horas eu sou muito samantha jones!! kkkk