domingo, 6 de novembro de 2011

Ridiculamente impessoal


Dia desses, conversando com o Valmique e o Ruleandson sobre os fãs da Britney que estão há quase um mês acampados no Rio de Janeiro para o show da cantora, comentávamos dessas loucuras que fazemos quando somos adolescentes, coisas que jamais nos imaginamos fazendo hoje em dia, por diversos fatores, mas mais porque realmente acreditamos que há um momento para determinadas ações em nossas vidas. É legal ficar um mês esperando a sua diva quando se tem dezessete, dezoito anos, mas não é tão divertido quando se está caminhando para os trinta, vamos assim dizer.

Em um momento da conversa alguém disse que acha engraçado essas loucuras todas, e que acredita que, no futuro, todo mundo acaba olhando para trás e percebendo como essas ações eram ridículas.

Comecei então a pensar em todas as coisas que já fiz e que hoje em dia não faria mais, tentando ver se eu realmente as acho ridículas. Encontrei algumas que poderiam perfeitamente justificar a fala desse meu amigo, mas outras nem tanto.

Me lembrei, por exemplo, que quando eu tinha uns quinze anos tive uma crush por uma menina do meu colégio. E, tentando me aproximar dela, acabei fazendo o que parecia ser a coisa mais sensata: tentei descobrir o que ela gostava de fazer, as músicas que ouvia, os filmes que via, e passei, misteriosamente, a me interessar pelas mesmas coisas. Naquela época eu acreditava que, se os gostos fossem os mesmos, as pessoas se aproximariam com mais facilidade. Isso não é, de fato, uma inverdade, mas não é também absolutamente certeiro como eu pensava na época.

Do mundo de coisas que passei a fazer por essa menina, frequentar a biblioteca da escola foi a mais drástica. Não que eu não gostasse de ler, mas abrir um livro numa tarde qualquer e mergulhar na leitura não era uma atividade que estivesse na lista das coisas que eu fazia para passar o tempo. E essa menina lia livros extracurriculares com frequência, vivia procurando os exemplares das listas de mais vendidos e sempre comentava que algo sobre um personagem que tinha chamado a atenção.

De todas as coisas que essa menina estava lendo descobri que o que ela mais curtia na época era Paulo Coelho. Foi bem naquele período que ele começou a receber críticas positivas dos grandes veículos, quando deixou de ser tão maldito para passar a ser considerado um dos grandes nomes da literatura brasileira. Comecei então a me aventurar com alquimistas, bruxas, magos e todos esses artifícios que tornaram esse escritor o sucesso que ele é no mundo.

Minha crush por essa menina, como não poderia ser diferente (afinal, eu tinha quinze anos!) não foi além do platônico. Mas sempre me lembro dela com carinho porque foi ali que comecei a ler mais, frequentar bibliotecas, livrarias, procurar os grandes clássicos que todo mundo diz "tem que ler"... Talvez se não fosse por causa dela essa minha paixão pelos livros tivesse surgido muito depois, ou talvez nem tivesse surgido, de fato. Por isso penso que nossas ações quando adolescentes não podem ser, de todo, consideradas como ridículas. A gente nunca sabe onde elas vão nos levar mais para frente.


[para ouvir depois de ler: Bon Iver - Who is it?]

Um comentário:

Dan disse...

bacana a forma que vc foi levado à leitura . Eu também já tive essas ações adolescentes,uma que tive foi mudar a minha rota da escola pra casa pra ir acompanhado de uma pessoa que estava apaixonado na época. mesmo ridículas algumas coisas,tiveram sua importância e força no tempo delas,e isso já é super válido! =]