quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Lip sync for your life


Dia desses meu querido amigo Diego resolveu dar o ar da graça e fazer a tão aguardada visita que ele prometeu há tempos. Fazia dois anos que não nos encontrávamos e foi muito boa a passagem dele por BH, a despeito de toda chuva que resolveu cair. Bruna e eu mostramos um pouco da cidade, relembramos casos e eu pude fazer meu famoso pão de queijo.

Claro que nesse meio tempo houve espaço para trocarmos figurinhas que estavam em nossos HDs. Filmes, séries e músicas que já estávamos ensaiando trocar há algum tempo, que já tínhamos comentado uns com os outros sobre. Então foi um tal de Aparrat para um lado, Blosson para o outro, Gil Scott, United States of Tara e outras tantas coisas que estão em uma pasta no meu desktop esperando para serem armazenadas em seus devidos lugares.

Dentre tudo que trocamos o Diego praticamente me obrigou copiar duas temporadas de um reality show chamado RuPaul's Drag Race. Em linhas bem gerais, o programa é uma mistura de America's Next Top Model, Project Runway e American Idol. Colocam algumas drags em um ateliê, dão a elas um assunto, materiais e as rainhas têm que mondar um look e se apresentar na passarela para os jurados. E dá-lhe perucas, maquiagens, partes do corpo sendo escondidas e outras parecendo como passe de mágica. Além de, é claro, muita atitude, muito carão e todas tentando "tombar" a colega do lado. Porque se em realities "tradicionais" temos a proporção de uma pessoa com atitude para cada novo grupo, na corrida do RuPaul a história é inversa.

Depois de cada apresentação os jurados dão as notas e as duas drags com menor pontuação da noite têm a última chance de se salvarem. E não poderia ser de outra forma se não dublando clássicos da drag disco music e usando todo o palco para convencer os jurados de que elas merecem uma outra chance no programa.

Enquanto assistia os últimos capítulos da segunda temporada (já está na quarta, se não me engano) comecei a pensar nessa questão da dublagem, de fingirmos cantar em cima de alguma música pré-gravada. E isso funciona como uma metáfora (absurda, é fato) para nossa vida. Por diversas vezes falamos coisas que, na verdade, já foram ditas por outras pessoas. Na faculdade usávamos autores para explicar e justificar nossos trabalhos. Nas relações com amigos por vezes contamos uma história que não aconteceu conosco porque ela se encaixa melhor naquela conversa que a nossa própria. Em determinados casos, quando queremos dar um conselho ou até mesmo nossa opinião, recorremos a casos famosos que todos conhecem, para validar melhor o que pensamos. Isso quando não deixamos de fazer o que realmente queremos para atender as vontades dos outros. A sensação é de que parece ser mais fácil usar alguma coisa já dita ou pensada do que construir (e emitir) a própria opinião.

E quando decidimos não dublar e usar nossa própria voz, na maioria das vezes, somos classificados de pessoas "difíceis", com atitude, como as drag queens do programa. É muito fácil pensar nelas como pessoas barraqueiras, que compram briga fácil e não levam desaforo para o camarim. Mas quase nunca pensamos nelas como pessoas verdadeiras, que dão um jeito de mostrar quem realmente são mesmo quando estão debaixo de perucas e maquiagem colorida, dublando para sobreviver. Dá para ver o coração mesmo por baixo do peito de espuma...


[para ouvir depois de ler: Crucify - Tori Amos]

Um comentário:

Diego disse...

hahahaha adoooooooro!!! non poderia de deixar registrado a minha presenca nesse post sobre a minha presenca em BH!!! Vc esqueceu de falar tb da Fanta Limao de 600ml sendo compartilhada no topo de BH!!!

And I always lip-synch for my life!!! always and always...

And remember..

If you don't love yourself, how the hell you're going to love somebody else??

Can get an a-men in here???